
Relatório de Actividades – Mandato 2005/2007
VII° Congresso Nacional da FAPF - Houilles (França), Domingo 28/01/2007
O Relatório de Actividades da FAPF, correspondente ao mandato 2005/2007 que agora se termina, é aqui apresentado e vai ser debatido, num contexto social da comunidade portuguesa, repleto de interrogações para as associações portuguesas e para os portugueses.
O movimento associativo está mergulhado numa situação de crise que se vai prolongar ainda por mais alguns anos e que acarretará, ineluctavelmente, o fim de numerosas associações, particularmente devido à falta de quadros dirigentes que se ocupem da sua gestão e à contradição, cada dia mais flagrante, entre a oferta associativa e a procura social por parte da comunidade portuguesa.
Também atravessamos, devido à evolução geracional da comunidade portuguesa de França, um periodo conturbado em que as politicas governativas portuguesas entram em choque com as necessidades reais dos portugueses.
O movimento associativo português em França, continua a ser penalizado pelas orientações do FASILD, que antes apoiava os nossos projectos e que deixou de os apoiar com o argumento de que agora “somos europeus”.
Os governos, todos eles, foram alertados por nós para essa situação extremamente grave que deixa as associações portuguesas sem qualquer apoio às suas actividades, já que de Portugal, os subsídios são quase inexistentes…pelos menos para alguns.
Nada foi feito pelos governos portugueses para, com negociações Estado a Estado, tentarem defender a comunidade e as suas associações.
Nas novas orientações do FASILD, as acções em favor da lingua e cultura portuguesas deixam de ter qualquer apoio…pouco resta que mereça ser apoiado !
Muitas das decisões que agora se pretende tomar, relacionadas com o ensino da lingua ou com a rede consular, talvez se venham a justificar num prazo de 10 anos, quando a actual geração dos anos 60, hoje ainda preponderante, abandonar definitivamente o palco social.
Tentar precipitar os acontecimentos e tentar anticipa-los, pode conduzir a um agravamento drastico das condições sociais e de vida dos emigrantes portugueses de França, onde a emigração portuguesa reune caracteristicas bem diferentes dos outros paises, seja pelo numero, seja pelas caracteristicas próprias dessa emigração, profundamente marcada pela sua origem rural e pelas condições dificeis em que se processou a sua sempre adiada integração no espaço publico françês.
Assim, os grandes eixos da nossa actividade (cidadania, memória da emigração, defesa da lingua e cultura, intervenção social) marcaram as acções da federação durante estes dois anos, com uma caracteristica constante : a redução dos apoios financeiros por parte da França e a total inexistencia de qualquer apoio de Portugal, malgrado os nossos constantes pedidos, com a correspondente entrega de dossiers para cada projecto.
Faremos aqui a explanaçao, mês por mês, das principais actividades e acções da FAPF e tiraremos, no fim as devidas ilações do trabalho desenvolvido.
CONCLUSÕES
A FAPF, conseguiu, neste Mandato 2005 – 2007, resolver alguns dos grandes desafios que tinha pela frente :
- Criar um posto de animador-coordenador da federaçao, relançar a Agenda Associativa que divulga as iniciativas das associaçoes e manter a sede da federaçao aberta e com um acolhimento organizado.
- Culminar o projecto « Uma Escola para Timor », organizando uma parceria eficaz e competente com a Associação France – Timor e conseguir o subsidio da Unesco, permitindo assim o inicio da fase de construção da escola.
Destes avanços conseguidos com muitos esforços, resta agora fazert um acompanhamento mais assiduo e exigente do funcionamento e organização da sede da federação.
Grandes avanços foram também conseguidos no respeitante à imagem e divulgação externa da federação e das suas iniciativas.
Os apoios financeiros à federação, indispensaveis ao funcionamento geral e ao sucesso das acçoes, têm diminuido drasticamente, devido particularmente à recusa do governo português – no tempo de José Cesario – em atribuir qualquer subsidio à FAPF.
Nesta perspectiva, a delegação que se deslocou a Portugal, em Setembro / Outubro passado, pediu encontro com o actual SECP Antonio Braga, para ter uma explicação do porquê dessa atitude por parte da DGACCP. Um inquérito esta a decorrer, na base dos documentos e informações que nos foram solicitados pelo actual SECP.
Estamos à espera que justiça seja feita e que o Estado português cesse de funcionar na base da corrupção e do amiguismo, como é o caso na atribuição dos apoios à emigração.
Há muito tempo que a FAPF foi ameaçada de lhe cortarem os apoios se continuasse a ser uma voz livre e incomoda para o poder. Os futuros dirigentes da federação, vao poder escolher, no futuro, se sera melhor « dobrar a medula », rastejar e cortisar o poder para receber umas migalhas do Orçamento. Até agora não foi essa a nossa atitude. Esperemos que não mude !
O Concurso Literário tem recebido cada vez menos apoio daqueles que juram defender a lingua de Camoes e que são pagos principescamente para o fazer. A nosso ver, é nesses sectores e nesses postos que o governo pode e deve fazer economias, desembaraçando-nos desses empecilhos que só prejudicam a lingua portuguesa, ja de si tão maltratada.
Finalmente, o nosso VI° Congresso, em 2005, ao debater a situação e o futuro do Conselho das Comunidades, já via claro ao duvidar da necessidade de um tal orgão. A prática da vida provou que tal era verdade, ao sermos testemunhas aqui em França, da inexistencia de qualquer iniciativa publica de vulto, a não ser os eternos protestos que mudam conforme os inquilinos de São Bento. E não é por falta de dinheiro que as coisas não se fazem … nós sabemos como foi no passado !
O CCP deixou praticamente de existir a nivel mundial e na Europa a estrutura deixou também de funcionar e de ter actividades comuns aos diversos paises europeus.
Este CCP não é credivel, não é competente, ninguém lhe liga e fica caro ao érario publico.
O melhor é enterra-lo e procurar outras alternativas de representação das nossas comunidades junto dos governos portugueses.
Assim, será oportuno que a FAPF reflita seriamente se vale a pena investir-se nas próximas eleições de Conselheiros das Comunidades.
O actual Presidente da FAPF, desta feita, está irremediavelmente indisponivel para encabeçar qualquer Lista ou participar nesse acto eleitoral.
Houilles (França), Domingo 28 de Janeiro 2007
Relatório de actividades 2005/2007 aprovado à unanimidade dos presentes
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